domingo, 19 de junho de 2011

Introdução

Em uma época não tão distante, os anjos caminhavam entre humanos como se fizessem parte da vida deles, um amigo ou um conhecido. Davam conselhos sábios e os homens os seguiam. Mas o homem parou de acreditar, o homem parou de ouví-los... totalmente.....
O mundo dos celestes e o mundo dos homens então se separaram por conta da ganância, luxúria, falsidade, corrupção e tantos outros pecados cometidos pelos mortais. Restaram apenas alguns com alma pura e coração livre de pecados, esses ainda conseguiam ouvir os anjos, mesmo que em sonhos, mas eram considerados loucos...
O mundo dos homens a cada dia se tornava mais violento.... com guerras, fome e miséria em todos os cantos e nenhum deles ouvia mais seus anjos... que mesmo assim faziam de tudo para protegê-los. Mesmo os homens não tendo mais fé, os anjos estão tentando voltar na forma humana novamente... Eles caminham entre o mundo dos humanos guiando-os para o caminho certo.
Muitas vezes os humanos se negam a ouví-los pensando que eles - os anjos - seriam loucos por falarem do passado, do presente e principalmente do futuro.
Muitos anjos não conseguem cumprir com sua missão, mas mesmo assim eles tentam e lutam pra conseguir, mas o homem em sua maioria.... esqueceu como ouví-los..... Como ir para a luz ao invéz da escuridão.
O fim como muitos rotulam... não existirá, o fim será um recomeço. Será que dessa vez os humanos vão ouvi-los novamente? Ou será que eles vão preferir a escuridão? Essa resposta nem os anjos têm, essa resposta... Apenas você pode responder. De qual lado você estará? O dos que esqueceram ou dos que querem ouví-los novamente?

terça-feira, 14 de junho de 2011

Últimos capítulos.... "Para meu anjo"

Eu me lembro da escuridão em que eu me transformei, de seu rosto sofrido. Lembro de suas palavras amargas e ao mesmo tempo doces, porém, por mais doces que fossem a amargura que tinha dentro de mim era maior, aquelas palavras me mataram e eu fui pra escuridão total enquanto ele ficou ali, parado, preso em um casulo como uma forma de castigo. Muito tempo depois eu percebi que aquela escuridão não era o meu lugar, vim pra cá iludida por um amor inexistente, mas não vim com raiva nem ódio no coração. Eu vim por amor assim como também me matei por amor, amor à ele, amor à nós dois. Eu não vim pra cá pra descobrir que não o teria novamente, eu vim pra cá na esperança de salvá-lo da mesma escuridão que eu estive. Ele se tornou um humano amargurado, carregando consigo vários tipos de sofrimento e se eu soubesse que tanto eu quanto ele sofreríamos juntos porém longe um do outro, eu jamais teria cometido "suicídio" pois eu jamais quis vê-lo sofrer. Mas acredito sim que deva ter sido melhor, ao menos eu pude viver tudo o que um ser poderia viver. Anjo, demônio e humana, minhas três existências das quais com cada uma aprendi uma lição diferente, as quais com esse livro todos saberão quais foram.

domingo, 10 de abril de 2011

2º Capítulo

Não me recordo do dia em que nos conhecemos, mas me recordo do dia em que eu soube quem era ele, apesar de confundi-lo no início. Alguma coisa me dizia para aceitar o seu convite e então eu aceitei.
Ele sempre me falava que ele não era quem eu imaginava, eu sempre batia o pé e afirmava que ele era sim. Depois eu descobri que ele realmente era apenas mais um anjo que apareceu na minha vida, pra me ensinar a enxergar as coisas com outros olhos. Cada vez que eu chegava perto dele, mais eu tinha vontade de abraçá-lo e levá-lo onde ninguém pudesse nos atrapalhar. Eu só queria amar ele, mesmo que só um pouco, ele me fazia me sentir bem e eu não me importava se ele não era o meu anjo realmente.
No dia seguinte, iríamos para o trabalho e eu queria me lembrar dele a qualquer momento, então peguei uma pequena recordação dele, o bracelete dele, esses que você compra em qualquer barraquinha na frente da “Galeria do Rock”, com duas tirinhas na cor preta e duas fivelas prendendendo as tiras, como num cinto. Comecei a usá-la como se fosse minha pele, meu amuleto. Depois de um tempo até comprei um anel prateado e gravei o nome dele por fora e a data em que ficamos pela primeira vez por dentro. Ariel, é esse o nome dele, meu anjo da sabedoria. O anel e o bracelete eram as únicas lembranças concretas que tinha dele - o bracelete infelizmente eu o perdi e o anel eu usava todos os dias, mas deixei de usar um tempo depois. - Tivemos momentos muito bons, rimos muito, brincamos muito e aprontamos muito também. Com o tempo eu vi que de certa forma, ele era meu anjo também, mas não aquele do qual eu sempre procurei. Mas eu o agradeço por ter aparecido na minha vida, me fazendo enxergar as coisas como elas realmente são. Hoje ele está casado com uma garota, Joana, a qual eu tenho um enorme carinho por colocar amor no coração dele e fazer ele entender que o amor não está apenas nos contos de fadas.

Um pouco antes de me separar de meu ex-marido, estávamos em um pé de guerra praticamente todos os dias. Não tinha mais sentido continuar com esse casamento. Tínhamos nossa filha, mas nós mais brigávamos do que viviamos em harmonia. Eu decidi começar a trabalhar no período da tarde com telemarketing pra ver se as discuções diminuíam, afinal, passariamos menos tempo juntos. Nas primeiras duas semanas até que deu certo, mas depois só piorou. Essa parte da história não tenho nenhum orgulho em contar, porém o que seria um livro autobiográfico se eu não contasse?
De tantas brigas, tantas discussões que tinham em casa, comecei a me abrir para meus colegas de trabalho, não sou nenhuma santa mas todos sabem que é nesse momento, que os oportunistas agem. Um certo dia, entre uma conversa e outra, contei aos meus colegas que o meu casamento tinha chego ao ponto final definitivo. Quando estávamos indo embora, alguns foram para o lado do metrô São Judas e eu fui para o lado do mercado Wall Mart - um supermercado que fica na avenida jabaquara - com o Roberto. Era um sabádo desses bem ensolarados e bem quentes também.
Contei como meu casamento estava se destruindo e começamos a conversar, e como se fosse a coisa mais natural do mundo, nos beijamos. Esse foi o primeiro dia que ficamos. Os outros quatro foram piores, pois além do beijo, aconteceu algo a mais. No terceiro dia em que saímos, ele atende a ligação de uma garota, e eu quis saber quem era, apenas por curiosidade.

- Eu namoro, mas a gente discutiu esses dias.
- Então quer dizer que você está traindo a sua namorada comigo?
- Ué, e você? Você é casada.
- É diferente, eu não te escondi isso e meu casamento já está acabado há muito tempo.
- Pra mim quando não tem sentimento não é uma traição.
- Se você acha assim, então eu não estou traindo o meu marido também.
- Ai é diferente, você é casada e eu não.
- Da na mesma Roberto, namoro é compromisso da mesma forma, só não tem nada assinado. Como você pode fazer isso? Quem sou eu pra falar, mas....

Nesse dia voltamos juntos no mesmo ônibus e enquanto conversávamos lembro que a namorada dele ligou pra ele de novo, onde ele disse que já estava indo pra casa. E então no dia seguinte saímos pela última vez, não queria manter um relacionamento fora do casamento, eu estava me sentindo mal e o Roberto era só um caso a parte e eu não teria nada com ele por não gostar nem nada dele.

- Eu vou ser pai!
- O que? Como assim?
- Eu vou ser pai, minha mina tá grávida.
- Nossa, tipo... Parabéns, mas... Vocês não estavam brigados? De quanto tempo ela está?
- Três meses, a gente se acertou, nunca estivemos brigados na realidade.
- Tá, vocês se acertaram e ao invés de você estar com ela agora, você continua aqui comigo!? Mesmo sabendo que ela está grávida. Quando você ficou sabendo disso Roberto?
- Faz um tempo já, inclusive amanhã eu me mudo pra casa dela.
- Ahn!?
- Vou me mudar pra casa dela, eu e o pai dela conversamos num boteco perto da casa dele, tomamos umas e outras e ai decidimos que seria melhor assim.
- E como vocês pretendem sustentar essa criança?
- Bom, eu estava pensando. Ela não vai ficar sabendo disso porque eu não vou falar, mas eu vou voltar com o que eu fazia antes.
- Você é louco Roberto. Você acha que ela não vai desconfiar se você aparecer com mais dinheiro do que deveria em casa? Você é retardado? As pessoas ligadas à trafico morrem cedo. E ai? Ela e seu filho ficam como sem você? Na rua?
- Não, é só por um tempo e ela nem vai saber disso.
- Bom, você é assim mesmo né, não tem jeito. Faça o que você quiser, eu só estou tentando abrir os seus olhos enquanto é tempo e é bom a gente parar por aqui de qualquer forma.

A partir desse dia não saímos mais, eu já tinha dado o primeiro passo pra minha separação e não estava nem um pouco a fim de dar o primeiro passo em outra que nem tinha começado ainda e envolvia uma criança que nem tinha nascido ainda. E eu não concordei com as atitudes dele, apesar de saber que eu estava totalmente errada, eu falei a verdade pra ele de que eu era casada, e depois quando já rolou tudo ele vem me dizer que namora e que iria ser pai dali 7 meses. Eu não estava certa, pois eu também traí o meu marido, mas não omiti nada de ninguém.
Nesse meio tempo ele comentou com todos os colegas de trabalho que namorava e que ela era bancária e estava grávida de 3 meses. Todos ficaram felizes, deram-lhe os parabéns e tudo, enquanto eu fiquei de canto com nojo dele. Como ele podia ser tão frio daquele jeito? Aproximadamente duas semanas depois, disse ele que a namorada estava internada no hospital e que ela havia perdido o bebê.
Todos nós sabemos que tudo o que a gente faz, gera conseqüências e nem sempre elas são boas. Porém, algumas semanas depois eu descobri que estava grávida e como eu não fiz sozinha eu decidi contar.

- Eu tenho uma coisa pra te mostrar.
- O que?
- Isso – Eu peguei um papel dobradinho do bolso e dei pra ele ver.
- E o que é que tem isso?
- Você sabe o que é isso?
- Sim, um exame de gravidez. E?
- Você sabe qual é o resultado?
- Sim, parabéns, você está grávida.
- Você sabe que eu estou falando pra você porque você é o pai não sabe? Só achei que você deveria saber que estou grávida de você.
- Mas você é casada, pode ser dele e se não for você pode falar que é.
- Não Roberto, não é dele. É seu e eu não vou fazer isso, nosso casamento já acabou e mentir não ajudaria nada.
- Bom, eu não posso fazer nada, eu não te obriguei a fazer nada, você fez porque você quis, não tenho nada com isso.
- Só achei que você iria gostar de saber, já que sua namorada perdeu o bebê né. Acontece que eu não quero esse filho também, mas a minha obrigação era contar pra você o que está acontecendo, eu não consigo nem olhar pra sua cara mais Roberto. Só vim falar com você por causa disso.
- Tá, obrigado!
- De nada.

Tudo bem que ele realmente não poderia fazer nada, mas ele achou o que? Que eu queria me casar com ele? Não mesmo, um cara que trai a namorada grávida com certeza não seria um bom marido, muito menos um bom pai. E eu não queria sair de um casamento acabado pra começar um relacionamento que não iria ser nada diferente, aliás, seria até pior por ambos não conseguirem nem olhar na cara um do outro.

No dia seguinte que eu falei da gravidez não o vi mais na empresa, ao contrário, ele me passou o número do celular dele errado e pediu demissão. Como eu não sou tão burra assim, dei o meu jeito e consegui o telefone certo dele e liguei pra ele dizendo que ele não fugiria da responsabilidade e eu acharia ele em qualquer parte.

- Você só se esqueceu de uma coisa Roberto, não adianta você fugir, não adianta você fingir que não aconteceu nada. O passado mais cedo ou mais tarde, vem à tona e todos saberão. Como que você vai falar pra sua namorada que você paga pensão pra uma mulher se você não falar que é pro seu filho? Não fuja da sua responsabilidade porque você não sabe do que eu sou capaz pra defender o meu. Não queira me prejudicar, porque por enquanto eu não fiz nada. Mas se eu me sentir ameaçada, você vai ver essa história chegar até ela.
- Só me liga se for pra falar que a criança nasceu.
- Pode ter certeza que eu vou ligar e se você mudar o número do celular, tenho todos os seus dados e te coloco na justiça.

Uma semana depois eu tive um sangramento intenso acompanhado de uma dor muito forte e então perdi o bebê. Nesse mesmo dia, passei a tarde inteira no PS e quando cheguei em casa já não estava mais agüentando essa mentira e decidi abrir o jogo com meu ex-marido. Contei tudo o que tinha acontecido e no dia seguinte eu estava de volta à casa das minhas tias, o último lugar que eu queria estar naquele momento, mas era o único que eu tinha. Pedi demissão da empresa e parti em busca de outro emprego.

Logo que eu saí do meu primeiro trabalho, consegui outro com um salário melhor praticamente na semana seguinte. O treinamento durou duas semanas e depois fomos pra própria empresa fazer as escutas pra não nos sentirmos tão perdidos quando falássemos com o cliente. Meu primeiro dia na linha não foi tão diferente de todos os outros, toda hora eu ficava nervosa e praticamente gaguejava ao falar com o cliente, mas fiz o máximo pra conseguir vender. Algumas semanas depois já estava mais entrosada com a minha turma e até conheci um rapaz que diga-se de passagem é um fofo. O Dimas é um doce de pessoa, tem o cabelo e os olhos escuros, é alto e magro. Um dia ensolarado e quente, eu e ele descemos juntos no intervalo e ficamos na porta conversando. Ele tentou me roubar um beijo mas eu me esquivei porque não queria beijá-lo naquele momento, mas um tempo depois ele me pegou desprevinida e conseguiu me roubar um beijo.

- Arianos não são de desistir fácil. - Ele me disse ao entrarmos na empresa.
- Percebi, mas capricornianas se apaixonam fácil.
- É só você não se apaixonar.
- Como se desse pra escolher né Dimas. - Eu dei um sorrisinho de lado.

Apesar de não comentarmos com ninguém sobre nós, pouco a pouco as pessoas foram desconfiando que estávamos ficando, mas eu sempre negava apesar de saber que isso não adiantaria nada. Enquanto eu ainda trabalhava na Rencall continuamos ficando, fui na biblioteca da Vergueiro com ele por conta de um trabalho que ele tinha que fazer pra faculdade. Nos sentamos no lado de fora pois a biblioteca estava fechada e pra passar o tempo ficamos conversando. Soube que ele fez uma participação no filme "Carandiru", a parte que todos estão deitados e nús - hahaha - e depois desse dia eu assisti umas 3 vezes essa parte só pra tentar encontrar ele, mas não consegui encontrar. Depois de um tempo nos levantamos e ficamos próximo a entrada da estação, pois eu já ia embora e ele tinha outras coisas pra resolver também. Falei pra ele que eu já estava me apaixonando por ele e ele me disse pra não fazer isso comigo mesma. Descobri que ele já foi gótico também, tem um filho pequeno e também não deu certo com a mãe do garoto. Um tempo depois fomos embora.
São poucas as coisas que me lembro dele, mas uma música que sempre vai me lembrar dele é a Black do Pearl Jam, ele adora essa música. Aos poucos fomos nos distanciando, mas eu ainda continuava apaixonada por ele. E como eu sabia que ele não estava nem um pouco apaixonado, por orgulho próprio comentei que eu havia me vacinado contra ele. Ele estranhou meu comentário e então eu expliquei que não me apaixonaria por ele. Fiquei um bom tempo meio apaixonadinha por ele, mas como tudo nessa vida é passageiro, paixão também é.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

1º Capitulo - Leia primeiro o Prólogo

Eu me lembro como se fosse ontem. Eu e o Pedro, meu guia, um de meus anjos de proteção. Estávamos em uma moto, e um ônibus vinha em nossa direção. A partir daí só me lembro dele me dizendo:

- Você o encontrou, só não soube ver quem era ele. Você veio pra cá iludida e com isso você se confundiu e não se lembra do que realmente aconteceu. Um dia você entenderá o motivo de você confundir suas visões e quando esse dia chegar você começará a enxergar as coisas com mais clareza. Só não se esqueça de uma coisa: Sempre irei te amar e estarei sempre contigo. Eu prometo que voltarei pra lhe ajudar quando você menos esperar. Te amarei eternamente. Na hora certa você irá encontrá-lo novamente, saberás pelo seu cheiro, e ele será igual ao que você sempre sentiu. Só não se iluda pensando que ele é alguém do qual ele nunca foi.

Foi então que tudo começou, eu via o Pedro em meus “sonhos” quase todos os dias. Quase sempre antes de acontecer alguma coisa, ele me avisava. Um tempo antes de ficar grávida da minha segunda filha, ele havia me avisado que eu iria ficar grávida novamente. Eu não levei à sério, pois na época minha ginecologista havia me informado que seria muito difícil eu conseguir ficar grávida devido alguns problemas hormonais e meu ultero ser imaturo ainda.
Na maioria das vezes o Pedro vinha apenas para conversarmos. Era um amor inexplicável, um amor que parecia não existir. Segui meu destino como eu achei que deveria ser seguido, afinal, eu encontraria o meu anjo novamente.
Tive muitas alegrias e muitas decepções. Cada rosto que eu me apaixonava eu achava que meu anjo estava lá, porém eu não o sentia como o Pedro havia me prometido, então comecei a acreditar que eu nunca o encontraria realmente. Ele estaria em todos os lugares que eu quisesse, mas não da forma como eu queria. Namorei com alguns rapazes durante esses tempos, mas quando me dava por mim, eu percebia que não era ele e cada um seguia para um lado. Tive amores verdadeiros também,
Repeti de ano duas vezes, mas consegui terminar o colegial e terminar um curso superior, do qual só serviu pra ter um diploma pois não quero exercer a profissão, pelo menos eu poderia concorrer a uma vaga em algum concurso público - o que na verdade não consegui.
Me casei com um rapaz do qual eu sabia não ser quem eu procurava, mas eu achei que esse rapaz talvez pudesse me fazer feliz, e novamente me enganei. Nos separamos um tempo depois. Mas não pensem que foram só tristezas. Desse casamento nasceu uma criança. Uma menina linda, na qual me arrependo de não ter dado a atenção que ela merecia quando me separei.
Logo depois da minha separação reencontrei alguns de meus antigos amigos. Um em especial que hoje entendo quase tudo o que se passou conosco, quando não estávamos aqui. Começamos a ver que tínhamos mais coisas em comum do que imaginávamos ter. Contávamos tudo um para o outro e então nos redescobrimos como sempre fomos, irmãos que cuidam uns dos outros.
Com o tempo fui lembrando de certas coisas do meu passado e o Bizu me ajudou a entender as coisas com mais clareza.

- Bi, eu encontrei com ele ontem novamente, mas dessa vez ele falou que eu já o encontrei, porém não percebi e preferi me distanciar.
- Mas como foi isso May?
- Foi estranho Bi, ele só me disse assim: "Você o encontrou, mas teve medo e afastou-se. Não fuja dele meu anjo, não erre desta vez. Não tenha medo dele, ele não lhe fará mal algum."
- Estranho mesmo May. Por que você teria medo de reencontrar ele?
- Não sei Bi, eu sei que foi isso o que ele falou. Talvez fosse medo de saber que era ele, mas como eu já tive essa sensação outras vezes eu preferi me afastar. Mas não sei quem pode ser, só vou saber com o tempo, isso se eu ainda tiver tempo.
- Para com isso May, você tem muito o que viver ainda menina.
- Eu só tenho até setembro de 2012 Bi, se eu não encontrar ele antes, nunca saberei o que aconteceu de verdade.
- Mas você vai encontrar e vai viver mais do que isso. Você vai ficar bem, você vai ver.
- Enfim, o que eu mais odeio é ter que esperar o tempo. Eu não suporto o tempo, o tempo não pode me garantir que o terei de volta em meus braços para protegê-lo como sempre fiz. Quando eu tiver encontrado ele, ai eu começo a acreditar no tempo.
- Você sabe que as palavras também são santas, e você terá que começar a acreditar no tempo, assim como acredita em outras coisas também.

Alguns dias depois de ter tido essa conversa com o Pedro, ele veio pra me lembrar que eu iria saber quem era meu anjo e que ele teria o mesmo cheiro doce que eu conhecia, o cheiro do jardim do qual sempre fora dele e eu passei a cuidá-lo quando ele fora renegado, expulso e jogado no mundo como humano. Mas também me disse que eu não teria ele como anjo como sempre foi e que o meu verdadeiro anjo seria outra pessoa, a qual eu iria conhecer na hora certa. O Pedro ficou um tempo sem aparecer pra mim, mas alguns meses depois ele retornou me fazendo enxergar toda a verdade da minha existência e o motivo pelo qual eu estaria aqui como humana.

Certo dia tive vontade de perguntar a um antigo amigo se ele se recordava do Pedro, afinal, estudamos na mesma escola na época em que ele ainda era “vivo”.

- Oi querido. Eu estou pra te perguntar uma coisa faz um tempo. Você se lembra do Pedro?
- Conheço vários Pedros. Qual você quer saber exatamente?
- O que estudou na mesma escola que a gente, depois foi pra outra escola. O Pedro, irmão da Amanda que estudava na mesma sala que a gente.
- Má, não existiu nenhuma Amanda na nossa sala.
- Ela sentava do meu lado todos os dias, do meu lado direito se eu não me engano, todos os dias eu guardava o lugar dela pra ninguém sentar. Como você não se lembra? Você era o primeiro que queria sentar naquela mesa.
- Agora me lembrei, mas... Essa carteira sempre ficou vazia Má. Ninguém nunca sentou ali do seu lado. Depois de um tempo as pessoas até se acostumaram com você guardando o lugar da Amanda. Todo mundo achava que você era louca, mas eu te defendia falando que era só uma amiga imaginária, e que era normal na sua idade.
- Você tá querendo me dizer que eu tinha alucinações com ela? Tá doido? Ela... Ela sempre existiu, assim como o Pedro.
- Má, eu não sei te explicar se era alucinação, se você realmente os via ou não. Eu só sei que a gente nunca conseguiu ver eles, eles nunca existiram pra nós. Desculpa se eu te deixei chateada, achei até que você já tivesse esquecido essa história.
- Não estou chateada porque eu sei que o Pedro pelo menos você vai se lembrar. Nós éramos como irmãos, eu até achava que as pessoas pensavam que fossemos namorados, nós andávamos sempre juntos, em todos os lugares. Vivíamos planejando nossos futuros, se nós iríamos conseguir o que queríamos, entre outras coisas. Mas, quando a gente sofreu o acidente de moto, todos os nossos planos foram por água a baixo.
- Você tá falando de qual acidente Má?
- O acidente de moto que eu tive com ele em Setembro de 2000. Você se lembra?
- Nessa época você era da sala do irmão do Victor, que era meu amigo e estudava comigo. Eu lembro desse dia, aliás, pra sua sorte acho que sou um dos únicos a me lembrar. Aquele dia a gente achou que você fosse morrer Má, sério. Fiquei super preocupado com você, você sabe que eu sempre gostei de você e que eu sempre tive um carinho especial por você. Mas o que deu na sua cabeça pra pegar uma moto sozinha com 12 anos sem carta e ainda se jogar na frente de um ônibus?
- Como assim? Foi um acidente, era o Pedro que estava dirigindo a moto e o ônibus veio pra cima de nós dois, foi ai que ele morreu. Ele salvou minha vida.
- Mayara. Entenda uma coisa. Desculpa se vou ser um pouco grosso, mas essa Amanda e esse Pedro nunca existiram. Você falava deles como quem fala de uma irmã e um namorado, companheiro ou sei lá, mas eles não existiram. Deixa-me ver se eu consigo te explicar melhor: Esse dia da moto, você saiu com toda a pressa dizendo que ia pra casa da sua amiga “Amanda” com esse Pedro, e que você já não estava mais agüentando a situação como estava, como se você estivesse desistindo de tudo, e todos. Então você pegou a chave da moto do Victor e saiu que nem uma louca na moto. Eu e o Victor ficamos preocupados, um outro amigo nos emprestou um carro e fomos atrás de você. Me lembro que você praticamente se jogou na frente do ônibus e ai aconteceu o acidente, por sua sorte você só teve alguns arranhões, ninguém conseguiu explicar como, nem mesmo os enfermeiros. A moto caiu em cima de você e você não se machucou muito e não teve sequelas. Mas também ficou delirando falando algo do tipo: “Não deixem ele morrer, por favor. Pedro eu preciso de você!” Algo do tipo. Entendeu agora?
- Já entendi o que você quis dizer, só que eles eram tão reais pra mim. Eu não posso estar imaginando coisas.
- Eu não sei se é coisa da sua cabeça Mayara, depois de um tempo você começou a falar que ele era um anjo que veio te salvar e te protejer, eu acho que pode ser que os dois talvez fossem realmente anjos, mas eles nunca existiram realmente, carne e osso. Desculpa estar falando a verdade desse jeito. Mas foi o que eu disse, não existiu nenhum Pedro e nenhuma Amanda no colégio dessa forma como você está falando.

Sabe quando você toma um baque daqueles bem grandes? Foi como se eu tivesse morrido novamente. Como que pode uma coisa dessas!? A minha vida inteira eu achar que ele existiu e viveu comigo lado a lado, me protegendo e fazendo planos comigo. Como se já não bastasse ter sofrido a morte dele naquela época do acidente, agora eu sofreria uma morte que não existiu, sofreria a inexistência dele. E o pior é que eu pensava que já estava começando a entender o que tinha acontecido no passado, mas depois disso minha cabeça precisava entender o que tinha acontecido realmente. - O que levou muito tempo pra eu realmente descobrir o que tinha acontecido. Pois logo depois do acidente eu não me lembrava de muita coisa que tinha acontecido antes. E ainda saber que a sua melhor amiga nunca existiu. Tudo bem que ficou estranho realmente quando ela deixou de ir pra escola e deixou de falar comigo, pouco tempo depois do acidente. Mas eu achei que fosse por outro motivo, não por ela não existir realmente.
O Pedro sempre foi o anjo que me acompanhou, junto com o Bizu e nossos outros companheiros no qual eramos um total de 7 contando com o meu anjo. Quando eu nasci como humana, eu sabia que ele era um anjo, mas achava que ele tivesse se materializado, nunca iria imaginar que ele só se revelava pra mim.
Eu comecei a tentar lembrar das coisas que já haviam acontecido comigo antes de me tornar humana mas ao invés me me lembrar fiquei mais confusa ainda, só depois que o Bizu me falou que tinha se lembrado de uma coisa, essa da qual me fez lembrar de algumas coisas na mesma hora. - mesmo que distorcidas. - O Bi, como eu costumo chamá-lo agora, me disse que havia se lembrado de nós três juntos, - ele, eu e o Pedro - mas havia uma força que queria nos separar. Então eu me lembrei de quando o Pedro me disse que minhas visões se tornariam mais claras quando eu começasse a entender o porquê elas eram tão confusas. A mesma força que nos separou, era a mesma que me confundia e iria me confundir sempre.
Lembrei-me que em um momento antes disso tudo, essa força me fez escolher entre o amor que eu tinha pelo meu anjo e a mim mesma. O que você faria se você fosse a única “pessoa” capaz de salvar a existência do seu amado e companheiro em troca pela sua própria? Qual opção você escolheria? Ver e sentir seu amado sofrer sozinho, ou fazer com que ele não sofresse mais? Nem que pra isso você tivesse que deixar seus companheiros para trás.
Eu escolhi não deixá-lo sofrer mais, e então eu percebi que não deveria ter feito isso.

- Ela foi embora, preferiu ficar longe daqui ao ter que lidar com vocês dois, ela disse que estava cansada e que iria viver o que lhe negaram. - Ele estava com um sorriso sínico e com o olhar demoníaco de sempre. Sua forma de andar era sinistra e ele se movia rapidamente. Usava uma túnica negra na qual não dava pra enxergar seu rosto direito.

Ao mesmo tempo em que ele falava de mim para o Pedro e o Bizu eu tentava gritar que era mentira e que eu tinha feito isso apenas por amor.

- Eu dei duas opções pra ela: Ficar aqui com vocês eternamente ou seguir o caminho dela da forma com que ela quisesse. Ela nunca amou vocês de verdade, ela preferiu ir embora ao ficar com vocês, assim como o anjo dela, que ela tanto ama e tanto fala preferiu também.
- Ela nunca teria feito isso sem motivos maiores – Disse Bizu enfurecido.
- Tem certeza? Ela não quis nem se despedir de vocês. Ela simplesmente foi embora, como se vocês nem existissem.
- Ela não teria coragem de fazer isso conosco. Você está mentindo como sempre fez, você está tentando nos colocar uns contra os outros novamente. – Se enfureceu Pedro.
- Ela não foi embora, você sabe disso. Ela não faria isso conosco e principalmente com você Pedro, vocês são mais do que almas gêmeas. Vocês são unidos eternamente, até mais do que eu sempre serei à ela ou a qualquer outro anjo do grupo. Você é o anjo que guiou ela até aqui. Você entregou esse jardim à ela, para que ela pudesse esperar por ele aqui, e ela não o abandonaria, ela ama acima de tudo esse jardim e você sabe disso. – Afirmou Bizu
- Realmente, se ela não foi embora, onde está ela então? Só consigo ver vocês dois, ela sempre estava com vocês. - Então ele deu a sua risadinha sínica de sempre.
- E ela sempre estará, nem que pra isso eu tenha que procurar por ela e enfrentar as trevas novamente, assim como já enfrentamos várias outras vezes. E nós, juntos, vamos provar novamente que o amor que une os seres celestiais e os humanos de coração puro é muito mais forte que o ódio que você e o seu demônio querem que todos sintam uns pelos outros. Vocês querem que todos se odeiem e amem apenas vocês e seus seres das trevas, pois dessa vez vocês verão que o amor sempre irá ganhar. Ele já tentou nos separar uma vez e não conseguiu, dessa vez não será diferente. – Disse Bizu indignado ao ouvir as palavras de Asmodeus.
- Porém dessa vez meu caro, é a realidade que começa a aparecer, ela já não está aqui entre vocês, ela preferiu ter uma vida real ao ter que dividir a eternidade com vocês dois, aos poucos cada um de vocês cairá, é só esperar.
- Pois então eu irei com ela e assim você verá e sentirá que o amor está acima de tudo e que ele nunca poderá ser destruído. – Bizu retrucou.
- Eu irei junto com você, não irei conseguir ver você procurar por ela sozinho. - Pedro disse com seu olhar angelical.
- É melhor você ficar aqui nos protegendo meu irmão, nós não sabemos o que podemos enfrentar por lá. Nós iremos achá-la e eu buscarei ela. Fique aqui e faça com que nós nos encontremos. Você continua sendo um anjo protetor, o líder do nosso grupo. É meu dever ir atrás dela e o seu é permanecer aqui como sempre foi.

- É mentira dele, eu estou aqui ainda, ele me obrigou. Não acreditem nele, por favor, parem e olhem pra mim! – Eu gritei pro vazio, em vão. Eles não me ouviam. Era como se eu estivesse em uma cúpula de vidro onde o som não conseguia ultrapassar. Tipo esses filmes onde a pessoa morre e ninguém consegue ouvi-la.
- Eles não podem te ouvir e não podem te sentir presente. Vocês não estão mais no mesmo plano, você está entre a Terra e o Céu. – Disse-me um anjo com a mais calma possível tentando me manter calma como ele.
- Mas se eles não souberem a verdade, nada mais vai fazer sentido. Eu não queria ter feito isso, Mas... foi preciso, eles precisam saber a verdade....
- Pois é, infelizmente você não pode se comunicar com eles. Eu só não entendo uma coisa, por que você escolheu esse caminho?
- Como assim? Eram duas opções, a primeira seria ver ele sofrer sozinho e a segunda seria eu fazer ele parar de sofrer. Só eu poderia fazer isso. Eu não poderia vê-lo sofrendo.
- Essas foram as duas opções dele, mas vocês sempre tiveram a terceira opção, por que você não usou ela dessa vez como sempre fizeram?
- Qual é a terceira opção?
- Você não lembra? – Fiz que não com a cabeça – A terceira opção sempre foi enfrentar qualquer coisa juntos, vocês sempre fizeram dessa forma. Apesar de você ter sido iludida, não foi uma boa escolha.
- Mas... Dessa vez foi diferente.
- Não querida, dessa vez você deixou que ele escolhesse o que era melhor pra ele, o melhor pro plano dele que infelizmente pode ser que dessa vez dê certo. Agora você é um anjo caído. O Bizu e o Pedro vão te encontrar juntos, os outros anjos estão perdidos. Quando tudo estiver em órdem, então você cumprirá sua promessa. Mas caíra novamente...
- Qual promessa? Eu só decidi não deixá-lo sofrer mais.
- E com isso aceitou as regras dele sem ele ter que lhe falar quais eram. Você irá encontrar seu anjo novamente, mas terá que enfrentar as trevas novamente, mas dessa vez será mais difícil.
- Como assim?
- Ele tentará convencer seu anjo de que o melhor pra ele será ao lado deles, mostrará um mundo que ele sempre quis, prometendo que esse mundo será dele, se ele o seguir. Fará ele acreditar que vocês o traíram perante todos e fará ele acreditar que o amor que vocês tinham por ele, nunca existiu. Como ele está preso na escuridão, como um renegado, pode ser que ele acredite. Você só poderá ser perdoada se você conseguir se lembrar do que aconteceu com vocês, principalmente com você. Você passará um tempo nas trevas aos serviços dele, essa foi uma de suas promessas, servir à ele enquanto não encontra seu caminho. Seu companheiro foi renegado e você nada pode fazer por ele, você foi iludida.
- Por que ele foi renegado?
- Ele O desafiou, disse-lhe que não poderia ficar em um lugar onde todos eram contra o que ele acreditava, contra seus ideais. Com isso, Ele o fez pagar com sua vontade, e o deixou na escuridão total. Tornando-se então um renegado, condenado a vagar entre a Terra e o Céu sem saber quem ele é e sem se lembrar de seu passado. Ele não se lembrará de vocês todos principalmente e não saberá que um dia foi como vocês, não saberá como foi e o que ele fazia. Esse seria seu castigo, a escuridão. Mas vocês irão se encontrar novamente. Você sabe a forma que um renegado se sente, e sabe de seus medos e anseios também. Ele será praticamente como um demônio por dentro, orgulhoso e vingativo, o coração dele vai ser frio e duro como uma rocha. O anjo negro que lhe fez a proposta sabia que você iria aceitá-la, mesmo longe de seus companheiros.
- Anjos não se transformam em demônios assim, anjos querem amor e demônios só querem o ódio. E eu só quero protegê-lo como sempre fiz.
- Bom, sinto lhe informar querida Lucy, porém anjos se transformam em demônios e também sentem amor um pelo outro.
- Mas... Anjos e... Demônios não podem....
- Sim minha jovem, anjos e demônios também se amam.
- Isso é impossível. Um demônio nunca sentiu amor por outro demônio, quanto mais por um anjo.
- Tempo, você entenderá que ele é o seu melhor aliado. A única coisa que eu posso te adiantar é que quando vocês se encontrarem ele não se lembrará de você nem nada daqui. Vai passar por muitas dificuldades, e você não vai poder ajudá-lo nesses momentos mais difíceis, porque você fez essa escolha. Você irá encontrá-lo quando menos esperar. Você terá que crescer e viver, também vai ter sofrimentos, os quais alguns serão parecidos com os dele, o que fará com que você o confunda com outros que também passaram por problemas parecidos com os seus. Quando vocês se encontrarem, não se iluda novamente. Lembre-se que você precisa se lembrar de tudo pra conseguir encaixar as peças. Você preferiu deixar essa decisão pro Anjo Negro ao aceitar a proposta de se tornar digamos que escrava dele. Então, vá e encontre seu anjo. Só assim você entenderá o que realmente aconteceu à vocês. Boa sorte Lucy, você vai precisar. Mas como eu disse, não se apresse e não se iluda. Deixe o tempo agir a seu favor ou então você se enganará novamente. Só não use sua última chance da forma errada.